terça-feira, 8 de junho de 2010

Astrologia Preditiva – Análise Crítica e Observações Históricas

O objetivo desse texto é realizar comentários gerais sobre Astrologia Preditiva, uma área de especialização da Astrologia voltada para a realização de previsões de acontecimentos humanos e naturais, de uma forma geral.
O mapa de nascimento (ou mapa natal) é um instantâneo da visão particular do Céu em um momento dado a partir de um local específico da Terra, mostrando as promessas para a vida pessoal. Porém, como no Universo nada está parado, a Astrologia Preditiva utiliza várias técnicas para acompanhar o movimento do Mapa Natal, a partir do momento em que foi feito o seu “retrato congelado”, para adiante[1].
Como afirma Nezilda Passos, “o mapa natal é uma fotografia do cosmo no momento do nascimento. No entanto, estes planetas estão em eterno movimento, ao som da música das esferas, deslocando-se no zodíaco”[2].
As previsões, em astrologia, são baseadas nos movimentos cíclicos dos planetas. Para se fazer um trabalho de previsão na Astrologia, o profissional deve desenvolver um raciocínio cíclico.
A lógica utilizada em previsões é ao mesmo tempo, intuitiva e empírica. Observam-se os fenômenos humanos e terrestres do passado, nas épocas em que os planetas estavam em um determinado ponto de seu movimento cíclico. Por ser um ciclo, esses movimentos delineiam uma marcha repetível que pode ser acompanhada e observada. Esse fato, inclusive, atende uma exigência da validade científica: a repetição experimental e a possibilidade de sua confirmação empírica.
Quando esses pontos do ciclo estão para terem seus movimentos repetidos, com a base empírica comparativa das outras épocas repetidas do passado, sabendo-se a história desses momentos, podemos deduzir por analogia o que deverá ocorrer no futuro ponto de reencontro desses ciclos, com alta probabilidade.
Existem ciclos menores – facilmente rastreáveis em seu passado imediato – e ciclos maiores, que exigem uma pesquisa mais profunda, podendo inclusive, utilizar-se de métodos científicos como os existentes em ciências como história, arqueologia e antropologia, que também estudam o passado.
É interessante observar que a Astrologia Preditiva deve se voltar à observação de fatos e comportamentos passados (correlatos ao delineamento de ciclos planetários já vivenciados), para poder deduzir probabilidades, previsões e possibilidades futuras quando esses ciclos se repetem.
A própria História, e outras ciências sociais como a Sociologia ou a Economia já perceberam, usando seus próprios métodos, que os fatos históricos e sociais se dão seguindo ritmos cíclicos. Por exemplo, momentos de rebelião ou revolta social se intercalam com momentos de acomodação e calmaria. Momentos de progresso e abundância econômica são intercalados com grandes crises e quedas, o mesmo ocorrendo no terreno político, entre ciclos de momentos “democráticos” e ciclos “autoritários”. Alguns estudos longitudinais, baseados em observações de longo prazo, sugerem que esses eventos se intercalam seguindo ciclos. Esse terreno é muito fértil para a causalidade e a sincronicidade cíclica da lógica astrológica.
Até que ponto podemos ter alguma certeza de que os fenômenos ou os fatos que ocorreram no passado, em certo ponto de um ou mais ciclos astrológicos, irão se repetir quando esses ciclos retornarem aos mesmos pontos? A observação empírica mostra que os eventos “tendem” a se repetir, porém, há fatores de livre-arbítrio e contexto que modulam essas tendências. Além disso, os ciclos podem se repetir em “estados evolutivos” mais avançados, ou menos. Há fatores de experiência e aprendizagem, individual e coletiva, que foram elaborados nos ciclos anteriores, de forma que a repetição de um ciclo, provavelmente não irá ser vivenciada da mesma forma.
Por fim, como cada planeta tem uma velocidade própria, definindo ciclos de variados tamanhos de amplitude e tempo de duração, muitas combinações de ciclos se tornam possíveis, produzindo um amálgama de tendências sistêmicas. Os vários ciclos formam um arranjo em “rede”.
Tudo isso impede que o destino se formalize como um evento pré-determinado, cristalizado e estanque. Pode haver uma “programação” multideterminada de tendências de destino, com várias possibilidades e caminhos que seguem uma “matriz”, uma “estrutura” ou um “arquétipo” identificável. Há a possibilidade da previsão, mas não há uma determinação linear, “reta”, “ponto-a-ponto”.
A lógica previsional na Astrologia é probabilística, e não fixamente determinística. A lógica probabilística é comum em outras ciências que também fazem previsões, nos seus respectivos campos de conhecimento, como a meteorologia, a medicina, a economia, a sociologia, a física, a matemática, a estatística, etc. A previsão é um procedimento comum na ciência, mas nenhuma dessas se adjudicam o status de infalibilidade, aceitando a existência de um desvio padrão ou margem de “erro”.
Com a Astrologia, podemos constatar o mesmo processo. Suas previsões não são infalíveis e também comportam uma margem de “erro”, pequena é verdade, mas não inexistente. Porém, em função das especificidades e questões filosóficas e existenciais que a Astrologia levanta, essa margem de “erro” pode ser compreendida num outro sentido, como uma margem de “indeterminação”, que na verdade, possibilita um campo de livre-arbítrio, um âmbito de possibilidades “não-previstas” e de certo “movimento” ou “mobilidade”.
Em termos epistemológicos[3], essa “margem de indeterminação” teria seu fundamento no postulado probabilístico do “Princípio de Incerteza” de Werner Heisenberg, prêmio Nobel de Física, que mostrou que muitos eventos naturais se desenvolvem seguindo um processo não-determinístico, de amplos espectros de possibilidade. Ele mostrou isso no circunspeto universo do mundo subatômico. Porém, seu Princípio de Incerteza aplicado às Filosofias do Conhecimento (epistemologia), da Existência e da Cosmologia, é um postulado adicional que apóia o axioma do livre-arbítrio e se coaduna com a lógica probabilística da Astrologia Preditiva. O pensamento probabilístico é um algoritmo do pensamento científico moderno que se contrapõe ao determinismo linear configurado em outras épocas do passado, tanto na filosofia antiga como na metafísica, ou mesmo, nos paradigmas da ciência clássica newtoniana.
A prática de previsão na Astrologia é feita usando e combinando várias técnicas – as progressões ou direções, trânsitos, lunações e eclipses, revoluções, ciclos e outras – que compõem uma conclusão de probabilidade.
As progressões são prioritárias. Elas dão partida no processo interpretativo, e também a sua direção. Apontam as mudanças que se desenvolvem na vida, mostrando como se desenrola o processo de evolução pessoal. As primeiras progressões chamadas de Progressões Primárias foram criadas por Ptolomeu, no século II.
Claudio Ptolomeu compilou o conhecimento astrológico dos egípcios, caldeus e gregos, parcialmente fragmentado com a triste destruição de grande parte da fabulosa e gigantesca Biblioteca de Alexandria. Ptolomeu concluiu essa compilação no século II d.C., em sua grande obra, chamada Tetrabiblos. Até hoje é considerada a “Bíblia da Astrologia” e permitiu um resgate de várias teorias e técnicas da Astrologia, e a criação de outras naquela época. Astrólogos de séculos posteriores fizeram várias revisões do saber astrológico tomando como ponto de partida essa obra.
Foi no Tetrabiblos que Ptolomeu apresentou a técnica das Direções ou Progressões Primárias. Procurando aprimorar o seu método, vários matemáticos de renome estudaram a sua técnica, como o alemão Regiomontanus, o italiano Campanus, o incrível francês Morin de Villefranche, além de Placidus, Nabolda e Maginus. Todos esses grandes matemáticos estavam preocupados em encontrar formas de simplificar o cálculo das progressões primárias, pois essas exigiam um amplo conhecimento de trigonometria esférica, constituindo-se numa técnica de maior dificuldade.
A técnica reinou sozinha desde o século II, durante quinze séculos, ou seja, até o século XVII quando, então, a formulação das Leis de Kepler possibilitaram o cálculo do movimento dos planetas. Com isso matemáticos como Antônio Maginus e Valentino Nabolda, estudando as direções de Ptolomeu, procuraram simplificá-las e conseguiram elaborar as chamadas Progressões Secundárias, de cálculo muito mais simples e alternativas técnicas mais ricas, que a fizeram ser bem mais utilizadas.
As progressões primárias baseiam-se na premissa matemática de que “quatro minutos de tempo sideral correspondem a um ano de vida”. Assim, seis horas (360 minutos) corresponderão há uma vida de noventa anos. O fundamento matemático-simbólico das progressões secundárias é diferente e considera “cada dia após o nascimento correspondente a um ano de vida”. Essa premissa matemática permitiu um cálculo diferente, mais simples, com o apoio da regularidade das Leis de Kepler, que não eram conhecidas por Ptolomeu, no século II. A descoberta das Leis de Kepler foram fundamentais para a formulação das Progressões Secundárias.
As progressões primárias tinham um inconveniente de cálculo. Elas exigiam um conhecimento exato e inequívoco da hora de nascimento. Como as situações e fatos da vida, numa previsão, ocorriam muito próximas da data da direção ou progressão, a falta de precisão encontrada nas horas de nascimento, ocorrida por qualquer motivo (e mais comuns do que normalmente se pensa), provocaria diferenças de três meses para cada minuto de erro.
Na verdade, esse inconveniente permaneceu nas progressões secundárias, porém, como o seu cálculo é mais simples e fácil, a técnica se mostrou eficaz para realizar outro procedimento denominado Retificação Horária, um processo técnico que permite fazer correções no cálculo de horário de nascimento. A técnica de cálculo de Retificação Horária se tornou tão importante, que atualmente ela é imprescindível para a confecção profissional de mapas astrológicos.
Tanto as progressões primárias quanto secundárias podem ser Diretas ou Conversas, e essas devem ser usadas em conjunto. As progressões primárias são Diretas quando o movimento é calculado no sentido do semi-arco diurno, do Ascendente para o Meio-do-Céu, e Conversas quando no sentido do semi-arco noturno, do Ascendente para o Fundo-do-Céu.
Por sua vez, as progressões secundárias são Diretas quando a contagem projetada para o futuro é realizada para cada dia após o nascimento, como correspondente a um ano; e nas Conversas, a contagem de dias, para cada ano, é feita do nascimento para trás. Aqui, as Conversas também são chamadas de Progressões Pré-Natais.
Como dissemos, as Progressões Secundárias têm sua origem nos estudos de grandes matemáticos para a simplificação do cálculo das Primárias. Essas não deixaram totalmente de serem usadas, mas a maioria dos astrólogos profissionais utilizam mais (ou somente) as Progressões Secundárias, que inclusive são as adotadas e ensinadas em cursos de formação de Astrologia. Salientamos que além de mais fáceis, as Progressões Secundárias são (paradoxalmente) mais ricas tecnicamente. Isso mostra o sucesso dos matemáticos do século XVII, Placidus, Maginus e Nabolda.
Outro diferencial das Progressões Secundárias é que elas utilizam o movimento real diário dos planetas e cúspides, sendo que suas posições progredidas dão origem ao Mapa Progredido Secundário. A utilização do movimento real diário na Progressão Secundária traz características específicas para essa técnica, como a possibilidade da mudança de movimento de todos os planetas em relação à condição natal, bem como a função da Lua, muito especial nesta progressão[4].
Os luminares (Sol e Lua) e planetas progridem segundo um ritmo de movimentação diário, que é mostrado a seguir[5]:

Sol 59´ 30”
Lua 13o 30´
Mercúrio 1º 19´
Vênus 1º 15´
Marte 0º 38´
Júpiter 0º 05´
Saturno 0º 04´
Urano 0º 03´
Netuno 0º 02´
Plutão 0º 01´

Pela tabela observamos que a Lua progride rapidamente, enquanto o Sol, Mercúrio e Vênus, progridem em ritmos mais próximos (o Sol progride um pouco mais devagar). Marte, com seu ritmo, parece ser um intermediário entre os outros planetas pessoais (Sol, Lua, Mercúrio e Vênus) e os planetas sociais (Júpiter e Saturno) e transpessoais (Urano, Netuno e Plutão). Esses cinco planetas “exteriores” progridem num passo bem mais lento.
Por isso Beranger afirma que,

Quanto à direções, são consideradas apenas as formadas pela progressão do Sol, Lua, Mercúrio, Vênus e Marte e dos eixos Ascendente/Descendente, Meio do Céu/Fundo do Céu, porque sendo o movimento diário dos planetas sociais e transpessoais muito pequeno, suas direções durariam muitos anos, já que o orbe utilizado aqui é de um grau (para a aproximação e para a separação do aspecto exato). Por este motivo, as direções formadas pelos planetas lentos progredidos são consideradas apenas quando em orbe exato de grau e minuto, o que só ocorre em um ano específico[6].

As progressões são chamadas, por muitos astrólogos, de direções. Isso é uma herança da prática das Progressões Primárias, mas nas secundárias, como aponta Alan Leo, esses termos devem ser diferenciados. Para ele, Progressão é a movimentação dos pontos e planetas que constituem o Mapa Progredido em dada ocasião, enquanto Direções são os aspectos formados pelos planetas e pontos (Asc., MC) progredidos com as posições do Mapa Natal[7].
Nesse sentido, a autora propõe levar em consideração as direções formadas pelo (1) Sol, (2) Lua, (3) Mercúrio, (4) Vênus, (5) Marte, (6) Ascendente/Descendente e (7) Meio-do-Céu (MC)/Fundo-do-Céu (IC), todos progredidos, com as posições originais do Mapa Natal, desde o Sol até Plutão (natais).
Muitos astrólogos acham suficiente utilizar apenas quatro pontos ou localizações progredidas – Sol, Lua, Ascendente e Meio-do-Céu progredidos em aspecto com os planetas do mapa natal. Nesse caso, consideram a Progressão Direta e Conversa (Pré-Natal), ou seja, consideram as direções do Sol Progredido Direto e do Sol Pré-Natal, da Lua direta e conversa, e do Asc. e MC diretos e pré-natal. Temos assim, oito pontos de direções a considerar (e não só quatro), com os 10 planetas do Mapa Natal, além do Asc. e MC radical. Isso forma um número grande de combinações possíveis a ser analisado, ao longo das evoluções anuais. A observação empírica mostra que isso já é suficiente[8].
Depois do surgimento das Progressões Secundárias no século XVII, outros esforços foram feitos na busca de simplificações. Simonite sugeriu no século XIX, que fosse considerado o movimento preciso do Sol progredido secundário para aplicá-lo a todos os planetas do mapa. Com isso ele lançou o cálculo de progressões mais simples de todos, e de mais fácil execução. Essas progressões ficaram conhecidas pelo nome de Progressões Simbólicas, pois sua característica é a projeção fictícia homogênea do movimento de todos os planetas do mapa (independente da marcha real de cada ponto ou planeta), seguindo obrigatoriamente, a marcha real de progressão de um único astro – o Sol.
As Progressões Simbólicas tiveram suas primeiras pesquisas no século XVII com Valentino Nabolda (os ingleses mudaram seu nome para Naboid), sua elaboração, aplicação e divulgação com Simonite no século XIX, e um desenvolvimento e aprimoramento, no século XX, com Sepharial e Vivian Robson.
As Progressões Simbólicas também partem da consideração de que “um dia equivale a um ano de vida”, entretanto essa base é aplicada sobre um movimento único, onde tanto os planetas quanto os ângulos progridem “imaginariamente” (simbolicamente) em função do movimento diário do Sol. Ou seja, nessa progressão, todos os planetas, ou o mapa todo, é movimentado de forma fictícia, até a formação de um desenho ou mapa final – o Mapa de Direções Simbólicas. Aqui, todo o conjunto movimenta-se “projetivamente”, de maneira igual ou uniforme, sobre o zodíaco.
Existem quatro tipos de Progressões Simbólicas sempre baseados no movimento do Sol, sendo duas personalizadas e duas não-personalizadas. São elas:

1. Passo do Sol;
2. Arco Solar;
3. Grau por Ano; e
4. Arco Naboid.

As duas primeiras – Passo do Sol e Arco Solar – são classificadas como personalizadas, enquanto as outras duas – Grau por Ano e Arco Naboid – são não-personalizadas.
O Passo do Sol toma como base o movimento do Sol no dia do nascimento, e aplica essa marcha uniformemente para todos os outros anos. A marcha do Sol no dia do nascimento é específica (“personalizada”) e é identificada ou informada nas efemérides para esse dia. Ela é, então “fixada” e ficticiamente considerada como constante e aplicada para cada ano seguinte da vida, mesmo que concretamente a marcha do Sol tenha se modificado nos anos seguintes.
A Direção por Arco Solar utiliza o arco preciso do Sol do nascimento até à sua posição progredida para uma determinada idade. Ela foi sugerida por Simonite, e foi adotada no início do século XX pelas escolas alemãs de Reinhold Ebertin e Alfred Witte, e pelo inglês Charles Carter.
Grau por Ano é uma direção que apenas move UM GRAU por ano, todos os pontos e planetas, e é de tão fácil aplicação e visualização, que pode ser delineada com uma “passada de olhos”. Muito útil para uma primeira avaliação rápida, por outro lado, é a menos precisa.
A Direção pelo Arco Naboid (em homenagem a Valentino Nabolda) ou Sistema Radix, como também é chamada essa direção, tem como base o passo médio diário do Sol, que anda 59´08” por dia, sendo aplicado simbólica ou ficticiamente a todos os pontos do mapa. Foi criado na Inglaterra por Sepharial e Vivian Robson, ao mesmo tempo que a Direção por Arco Solar era efetivada pela escola alemã, no início do século XX.
Os astrólogos profissionais utilizam uma entre essas quatro opções, que adotam como padrão. Elas são consideradas válidas até hoje. Mas, as Direções Personalizadas parecem ser um pouco mais precisas. O Grau por Ano é de aplicação fácil, imediata e até mesmo visual, mas é a menos precisa. A Progressão Simbólica por Arco Solar parece ser a mais precisa. Na verdade, ela é exatamente o mesmo Sol das Progressões Secundárias. Sua utilidade foi comprovada pela pesquisa empírica das escolas alemãs de Hamburgo e Reinhold Ebertin. Isso tem feito a Direção por Arco Solar ser a progressão simbólica mais indicada das quatro, pelos astrólogos, após uma primeira olhada rápida (e opcional) com a Direção de Grau por Ano.
O francês Henri Gouchon, resistente ao uso das Direções Simbólicas, e o inglês Charles Carter, defensor dessas, apesar de suas divergências, concordam que se use mais de um tipo de progressão, e principalmente, que as conjuguem com outras técnicas preditivas como os trânsitos, lunações e eclipses.
A diferença básica entre os Trânsitos e as Progressões reside no fato de que os trânsitos são movimentos que utilizam o tempo real, enquanto as progressões consideram um tempo simbólico. Além disso, os trânsitos apresentam o Céu em movimento mais rápido enquanto as progressões, comparativamente, o apresentam em movimento bem mais lento.
Para muitos astrólogos os trânsitos são o mundo exterior afetando a pessoa, ao passo que as Progressões são mudanças de nossa consciência interior, ocasionando as mudanças correspondentes no ambiente. Celisa Beranger precisa que as progressões são consideradas interiorizadas ou subjetivas, e os trânsitos são responsáveis pela expressão externa dos processos internos de transformação gerados pelas progressões[9].
Segundo a australiana Bernadette Brady, “as progressões parecem manifestarem-se primeiro como sentimento ou necessidade, para então aparecerem como ação[10]. Os trânsitos aparecem como indicadores da maneira como esses processos são expressos no mundo.
Morin de Villefranche considerava a ação das progressões como mais “precisa” que a dos trânsitos. Porém, enfatizava que o mais comum é que a “maior parte dos trânsitos reforce ou determine a realização das progressões”[11].
Essa observação de Jean Baptista Morin de Villefranche é muito importante, pois é essa a orientação seguida pela maioria dos astrólogos: identificam-se as progressões de uma certa data ou período de tempo, depois procuram-se os trânsitos, lunações e outros pontos que confirmem as direções dadas pelas progressões. Tudo isso sempre considerado em relação ao mapa natal.
Corroborando esse procedimento em relação aos trânsitos e progressões, Ronald Davison (assim como Villefranche) considera que “os trânsitos são parte integrante das progressões, uma extensão lógica e um desenvolvimento da idéia básica do sistema, e não um processo externo à técnica de progressão”. E assim, o americano Steven Forrest conclui assertivamente: “Usar trânsitos sem progressões é como voar sem instrumentos em um nevoeiro”[12]. Infelizmente, esse é um erro comum de astrólogos iniciantes e estudantes autodidatas.
A exceção é dada para os trânsitos de Urano, Netuno e Plutão, que por serem trânsitos de longa duração (2, 4 e 5 anos respectivamente, em média) possuem o mesmo peso de direções[13] marcantes.
Trânsitos dos planetas sociais – Júpiter e Saturno – têm a mesma importância das direções da Lua Progredida Secundária ou das Direções Primárias Fracas[14]. Em geral, os trânsitos dos planetas sociais e as direções da Lua Progredida tratam de prognósticos astrológicos de curto e médio prazos (envolvendo um, dois, três ou quatro meses, em média).
Podem ocorrer das direções progredidas se encontrarem em sentidos diferentes dos trânsitos. Nesse caso, a preferência é dada para a direção dos aspectos indicados pelas progressões. Predominam as progressões preferencialmente.
Para direções progredidas fáceis (trígonos e sextis) e trânsitos difíceis (quadraturas e oposições), o período em questão, é considerado importante para o futuro e para que a pessoa possa sair-se bem, mas pode ocorrer algum problema ou dificuldade momentâneo. Mesmo assim, a pessoa consegue o seu intento, ou no máximo, se o resultado não for obtido nessa ocasião, pode ser adiado um pouco, mas é provavelmente ou parcialmente atingido.
Com direções (ou progressões) difíceis, mesmo havendo trânsitos favoráveis, o que ocorre é que no período podem se apresentar oportunidades favoráveis, porém a pessoa não está em condições de aproveitá-las ou ocorrem resultados que não permanecem. Também existe a possibilidade de ocorrerem revezes em situações que começaram bem.
Podemos concluir que as progressões dão o tom do resultado final previsto: com boas progressões enfrentamos bem trânsitos tensos, mas com progressões difíceis podemos não saber aproveitar trânsitos que seriam fluentes ou favoráveis.
Por outro lado, trânsitos isolados indicando uma situação, sem a presença de direções ou progressões que o apóiem, podem simplesmente não se concretizarem (ou seja, não ocorre nada), ou quando ocorrem e se concretizam de alguma forma, seu efeito é passageiro e pouco significativo. Por isso, astrólogos amadores e estudantes iniciantes se decepcionam quando ignoram ou desconhecem a importância das progressões, e acompanham um trânsito que não resultou em nenhum acontecimento. Geralmente, eles não viram se existia alguma direção que apoiasse aquele trânsito.
Os antigos já haviam observado: acontecimentos importantes estão sempre marcados em várias técnicas – progressões, trânsitos, lunações e revolução solar – e todas devem indicar a mesma coisa, porque uma indicação isolada pode ser apenas uma tendência que não se realize. Esse é um axioma fundamental da Astrologia Preditiva.

Referências Bibliográficas

BERANGER, Celisa. A evolução através das Progressões. Rio de Janeiro: Espaço do Céu, 2001.

CUNNINGHAM, Donna. A influência da Lua no seu mapa natal. São Paulo: Pensamento, 1988.

HALL, Judy. A Bíblia da Astrologia – O guia definitivo do zodíaco. São Paulo: Pensamento, 2008.

HASTINGS, Nancy Anne. Progressões Secundárias – Técnica de prognóstico em Astrologia. São Paulo: Pensamento, 1995.

PASSOS, Nezilda. Trânsitos Astrológicos – Um caminho para o autoconhecimento. São Paulo: Roka, 2000.

RIBEIRO, Anna Maria Costa. Conhecimento da Astrologia – Manual Completo. Rio de Janeiro: Imperial Novo Milênio, 2008.


[1] Celisa BERANGER, A Evolução através das Progressões, p. 11.
[2] Nezilda PASSOS, Trânsitos Astrológicos, p. 3.
[3] Epistemologia é a área da filosofia que estuda como o conhecimento é produzido. É a teoria filosófica do conhecimento, estudando as premissas e implicações dos vários métodos utilizados para produzir um determinado saber.
[4] Celisa BERANGER, A Evolução através das Progressões, p. 23.
[5] Ibidem.
[6] Celisa BERANGER, A Evolução através das Progressões, p. 22.
[7] Ibidem, p. 17.
[8] Além disso, essas posições ainda serão avaliadas em conjunto com outras técnicas como trânsitos, lunações e revoluções.
[9] Celisa BERANGER, A Evolução através das Progressões, p. 45.
[10] Ibidem, p. 16.
[11] Ibidem, p. 45.
[12] Ibidem, p. 46.
[13] Lembremos que direções são os aspectos formados pelos planetas e pontos progredidos com as posições do Mapa Natal (conforme definição de Alan Leo).
[14] Celisa BERANGER, A Evolução através das Progressões, p. 47.
Astrologia Preditiva ou Previsional – Noções Introdutórias

A Astrologia Preditiva é uma especialização da Astrologia que objetiva realizar previsões de fatos concretos e psicológicos, que potencialmente possuem uma alta probabilidade de ocorrerem, e são identificados por um conjunto sistêmico de técnicas simultâneas.
Na Astrologia Natal – outra especialidade da Astrologia que estuda o Horóscopo pessoal ou Mapa Astral – aprendemos a interpretar um Mapa Natal levantando suas potencialidades e tendências, bem como promessas de vida marcadas por diversos pontos estudados. Na Astrologia Previsional estudamos quando estes fatos poderão se concretizar.
O mapa natal, mapa astral ou horóscopo individual descreve a vida se desenrolando do nascimento à velhice[1], carregado de potencialidades e promessas prontas a serem detonadas num momento preciso da vida do indivíduo.
Ribeiro afirma que a previsão é uma técnica de conhecer em avanço, que energias planetárias estarão influenciando o comportamento e as reações psicológicas de uma pessoa, num determinado tempo. Como a própria autora pontua, citando C. G. Jung, “quando o indivíduo não está consciente de uma energia, ela se manifesta exteriormente numa fatalidade”[2].
Devemos deixar claro que, como nos mostra Morin de Villefranche, astrólogo do século XVII, os astros “inclinam”, mas não “determinam” fatos e acontecimentos, embora muito do que se estuda em previsões ou num tema natal são evidências e possibilidades que de fato ocorrem, sendo então a previsão um instrumento útil para podermos vivenciar melhor qualquer situação à nossa frente.
Como argumenta Judy Hall,

Observando o movimento diário dos planetas e calculando como ele afetará o signo solar ou o mapa natal de alguém, o astrólogo consegue prever acontecimentos, reconhecer a possibilidade de mudança e identificar oportunidades ou bloqueios no caminho (...); compreendendo a progressão dos planetas, você pode aprender a usar as mudanças a seu favor[3].

Existem inúmeras técnicas de previsão na Astrologia Previsional. Entre essas destacam-se:

1. Progressões Secundárias;
2. Trânsitos;
3. Lunações e Eclipses;
4. Revoluções.

Há ainda duas técnicas muito importantes:

5. Grandes Conjunções e Ciclos Planetários;
6. Direções Simbólicas.

Por fim, ainda podemos citar:

7. Pró Luna;
8. Revolução Sinódica;
9. Revolução Diurnal;
10. Fatum ou Meio do Céu Evolutivo;
11. Ponto Idade ou Age Point;
12. Direções Primárias.

As técnicas principais que pretendo discutir são as seis primeiras citadas.
O primeiro axioma que afirmo com veemência é o de que o procedimento de previsão deve ser feito com o uso conjunto de todas essas técnicas, simultaneamente.
Assim, não adianta utilizar apenas a técnica de trânsitos, sem utilizar a de progressões, ou utilizar apenas as lunações ou as revoluções, sem associá-las às outras técnicas restantes, pois o resultado final pode ser falho ou incompleto.
O conceito de previsão é probabilístico, e não restritamente determinístico. Assim, até é possível realizar “alguma” previsão com uma ou outra técnica isolada, porém as previsões mais confiáveis, com alta probabilidade de ocorrerem, só são possíveis quando todas as técnicas são utilizadas em conjunto, inclusive e obrigatoriamente, com o Mapa Natal.
Vejamos um exemplo: se ocorrer um determinado trânsito de um planeta indicando ganhos financeiros, até é possível que isso ocorra, mas a probabilidade efetiva de que essa possibilidade se concretize será muito maior, se existirem posicionamentos astrológicos similares à interpretação de “ganhos financeiros” também nas outras técnicas. Assim, se houver posicionamentos favoráveis nos mapas de trânsitos, progressões e lunações, para ganhos financeiros essa previsão tem muito mais chances de ocorrer, do que se houver apenas uma posição isolada no mapa de trânsitos ou progressões, ou ainda, se só houver um posicionamento no mapa de revolução solar ou de lunações.
Nesses últimos casos, com apenas uma posição isolada em alguma técnica particular, o evento previsto, com baixa probabilidade de se efetivar, pode simplesmente não ocorrer. Esse tipo de “erro” costuma acontecer com iniciantes no emprego da Astrologia de Previsão, que atentam insistentemente para apenas um ou outro ponto de um mapa ou técnica, e ignoram a visão de conjunto que a orientação holística e sistêmica da técnica astrológica exige.
Vejamos algumas definições e comentários das principais técnicas da Astrologia Previsional.

Progressões Secundárias

Progressão é talvez a mais antiga das técnicas de previsão e desenvolvimento do mapa natal. A definição formulada pelo estudioso e pesquisador francês Henri Gouchon é a seguinte:

Progressões são todos os movimentos reais ou fictícios atribuídos aos astros durante as horas ou dias que se seguem ao nascimento. Estes movimentos vão gerar, em relação ao Céu Natal, numerosos aspectos fáceis ou difíceis que, estarão, em princípio, relacionados com os acontecimentos da vida[4].

Assim, as progressões representam movimentos nos quais um curto período de tempo projeta-se, por analogia, num longo período.
Existem três principais tipos de progressão, entre outras:

1) Progressões Primárias " utiliza os movimentos reais ocorridos durante as horas que se seguem ao nascimento.
2) Progressões Secundárias " utiliza os movimentos reais nos dias que se seguem ao nascimento.
3) Progressões Simbólicas " Utiliza os movimentos fictícios baseados apenas no movimento do Sol.

A técnica de Progressão Secundária – uma das mais antigas e empiricamente comprovadas durante séculos – desdobra-se em duas etapas: (1) Progressão Direta e (2) Progressão Pré-Natal ou Conversa.
A técnica de Progressão Secundária é extremamente simples, enquanto método, mas seus resultados são bem significativos. A técnica baseia-se na equivalência de que cada dia da efeméride corresponde a um ano de sua vida. Trata-se, portanto, simplesmente de substituir um dia por um ano de vida. Se uma pessoa está com 20 anos de idade, levanta-se um mapa para 20 dias a contar da data de nascimento. Por exemplo, se você nasceu em 04 de março de 1973, e quiser saber sobre as tendências para seu vigésimo ano de vida, procura-se então as posições planetárias para o dia 24 de março de 1973.
Após isso, verifica-se os aspectos que esses novos posicionamentos planetários fazem com a sua carta natal. A esse procedimento chamamos Progressão Direta. Esta mesma correspondência pode ser feita de maneira inversa, contando-se os dias para trás da data de nascimento, ao que se chama Progressão Pré-Natal ou Conversa.
Vimos que, enquanto o mapa natal mostra como a pessoa é, sua estrutura, suas tendências e potencialidades, bem como o que está prometido para ela, as progressões indicam as mudanças que ocorrem e marcam a vida, o desenvolvimento e a evolução pessoal. Em outras palavras, enquanto o mapa natal apresenta o que a pessoa é, as progressões descrevem como ela está, qual a sua disposição geral em dada ocasião, e como a pessoa se encontra na sua caminhada como ser humano, em um dado momento[5]. As progressões são, no final das contas, ciclos de crescimento.
É importante frisar que não se deve utilizar essas técnicas de progressões, nem nenhuma técnica astrológica de predição sem referência ao mapa natal. Segundo Hastings, com o mapa secundário progredido é preciso dispor tanto do mapa natal como dos trânsitos dos planetas exteriores para fazer previsões corretas[6]. Nesse ponto, devemos enfatizar que astrólogos sérios não “adivinham magicamente” acontecimentos, mas apenas calculam tendências, probabilidades e possibilidades, que dependem muito, para serem concretizadas, da cambiante faculdade do livre-arbítrio.
Gouchon e Carter complementam que as progressões devem ser conjugadas com as várias outras técnicas da Astrologia Preditiva: Revoluções, trânsitos, lunações, eclipses, evolutivos etc.
Por outro lado, a importância das progressões é de tal natureza, que há 18 séculos um axioma da Astrologia Preditiva vem se mantendo. Esse postulado afirma que “nenhum acontecimento importante pode ocorrer sem que esteja indicado por uma direção da natureza do evento”[7]. Essa direção é o outro termo pelo qual as progressões também são conhecidas.
Concluímos, que na conjugação das progressões secundárias, trânsitos, lunações, revoluções e outros ciclos, as progressões são prioritárias, constituindo-se como pontos de partida que dão as direções preliminares de todo o trabalho preditivo. Como pontua Beranger, as “Progressões são a base para qualquer previsão formulada com seriedade”[8].

Trânsitos

Os trânsitos correspondem à passagem diária dos planetas sobre o mapa natal da pessoa.
A técnica consiste em pesquisar as efemérides, num determinado dia, localizando os planetas nas coordenadas zodiacais do momento. Compara-se essas posições dos planetas em trânsito, com os dos planetas radicais (ou seja, os planetas do mapa natal).
O planeta em trânsito (movimento) é chamado de planeta transitante. O planeta radical que recebe aspectos do planeta transitante é chamado de planeta transitado. Assim, deve-se considerar que o planeta transitante (em movimento) afetará o planeta transitado (radical ou natal) de acordo com suas energias particulares e também de acordo com a posição original do planeta que recebe o aspecto no mapa natal (casa e signo em que se localiza e casa que rege).
Os planetas em trânsito ao mudarem de posição por signo e casa, levam os acontecimentos que influenciam a Carta Natal, inclusive através dos novos aspectos que os planetas radicais recebem dos transitantes. Além disso, quando um planeta em trânsito ativa um planeta no mapa natal, ativará a seu tempo, por órbita de trânsito, os planetas aspectados por ele no mapa natal.
Nesse ponto, porém, é importante salientar, por enquanto, que a ocorrência de trânsitos indicando uma dada situação, sem a presença de direções (ou progressões) capazes de apoiar a possibilidade, pode indicar uma tendência muito “fraca” ou “reduzida” que simplesmente não se concretize, ou pode promover a ocasião e até o acontecimento, mas sua influência sobre rumo da vida é passageiro, sutil ou pouco perceptível[9]. Esse postulado empírico corrobora a inutilidade e/ou as limitações de se analisar os trânsitos isoladamente, sem levar em conta, as progressões.

Lunações e Eclipses

Lunação, ou mais conhecida popularmente como Lua Nova, é o momento da conjunção Sol e Lua, ocorrendo num intervalo de 28 dias entre uma e outra. Quando se faz sua análise considera-se também a Lua Cheia que ocorre imediatamente depois (14 dias aproximadamente), quando a Lua e o Sol estão em oposição; tanto que Cunningham chega a definir as Lunações como sendo os ciclos de Luas Cheias e Luas Novas que ocorrem no ano[10].
Todos os meses ocorre uma Lunação, e às vezes até duas, uma vez que a Lua leva 28 dias para dar uma volta completa no Zodíaco. Isso faz com que ocorram 13 lunações por ano. As lunações podem ser simples ou com eclipse.
As Lunações (simples) indicam possibilidades de acontecimentos nas casas onde ocorrem. Esses acontecimentos nem sempre ocorrem na Lua Nova, mas são trazidos pela Lua Cheia imediatamente posterior, aproximadamente 14 dias após a Lunação, podendo acionar o fato previsto. Ou seja, se você tiver uma lunação na Casa 2 (do dinheiro) algum evento novo deve acontecer nessa área da vida, e seu clímax será visível 14 dias depois na Lua Cheia. Às vezes o evento só é nítido na Lua Cheia, mas alguma coisa disparou o processo na Lua Nova (Lunação).
Quando ocorre um Eclipse Solar (que também é um tipo especial de Lunação), um evento mais significativo ainda deve acontecer, relacionada à Casa onde ocorreu o eclipse. Mas o seu auge ocorre na próxima lunação que fizer quadratura ao ponto fixado pelo eclipse, normalmente na terceira lunação após três meses (lembremos que em média ocorre uma lunação por mês, seguindo a trajetória do trânsito do Sol pelas 12 casas do mapa). Os efeitos de um eclipse como um todo duram em média 6 meses, ou seja, até o próximo eclipse solar.
Por fim, os Eclipses Lunares (que só podem ocorrer em épocas de Lua Cheia, quando a Lua fica eclipsada pelo Sol) não têm interpretação na Astrologia. Não há dados empíricos que confirmem qualquer tipo de interpretação para os eclipses lunares, embora alguns insistam em atribuir significação a esses posicionamentos.
O interessante de mapear as suas Lunações do Ano, em seu mapa astral, é que esses períodos que vão da Lua Nova até a Lua Cheia são excelentes para iniciar e consolidar atividades, coletar informações e estabelecer contatos[11], nos assuntos da Casa onde a Lunação ou o Eclipse (solar) ocorre, especialmente se a Lunação formar conjunção com algum planeta natal, e mais ainda se esse planeta for ativado por um trânsito ou progressão.

Revoluções

O termo Revolução significa o retorno de um planeta à sua posição inicial, ou para o Astrólogo Profissional que utiliza esta técnica, o retorno de um astro à sua posição de origem no mapa natal. Pode-se dizer que a revolução é um trânsito em conjunção exata de um planeta sobre ele mesmo.
Através desta técnica iremos nos familiarizar com o horóscopo calculado para o momento em que a cada ano, cada astro retorna à sua posição natal. Podemos fazer revoluções para todos os planetas, mas as principais analisadas pelo astrólogos são as Revoluções Solar (para o ano todo) e Lunar (para cada mês do ano solar). Esses mapas “congelam” os trânsitos básicos desse momento de retorno do astro à sua posição natal, evidenciando assim uma tendência preditiva ou prognóstica para o tempo de retorno cíclico de cada astro em particular, no qual se traça o mapa de revolução. No caso do Sol, um ano, e da Lua, 28 dias ou um mês. Se fosse um mapa de revolução de Marte, seria uma revolução para um ciclo de 2 anos e meio, e para Júpiter corresponderia a um mapa de revolução com previsões para 12 anos.
Na análise da Revolução Solar, fazemos a sua combinação e comparação com o Mapa Natal, analisando seus interaspectos, e movimentando-se o Ascendente e o trânsito do Sol e da Lua, permitindo-nos avaliar as tendências de acontecimentos e suas épocas prováveis de realização.
Com as revoluções da Lua analisam-se os acontecimentos prometidos pela Revolução Solar, sendo ativados mensalmente, que é o período em que a Lua faz a sua Revolução.

Direções Simbólicas

É um tipo de progressão baseada no movimento fictício conjunto de todos os planetas e casas, em “bloco”, na mesma proporção. Assim, movimentamos o mapa como um todo, na direção e na proporção temporal que se quer analisar, gerando um mapa “dirigido”, simbólico.
Essa proporção pode utilizar como base de cálculo as seguintes correspondências para o movimento do mapa:

1) Grau por ano;
2) Passo do Sol;
3) Arco Solar;
4) Naboid.

Grau por Ano = 1 grau da eclítica é igual a um ano de vida da direção. Nesse método, progride-se 1º para cada ano, em todos os planetas ao mesmo tempo, até o momento ou idade desejado para análise. É o de cálculo mais fácil, quase visual, porém menos preciso.

Passo do Sol = é dado pela “marcha” do Sol no dia do nascimento (ou seja, quantos graus o Sol anda exatamente nesse dia). Esse ritmo é tomado ficticiamente como constante para todos os anos que se deseja progredir o restante do mapa e seus planetas.

Arco Solar = é a diferença em graus entre a posição do Sol no dia do nascimento até o dia que representa a idade a se examinar. Considera-se o dia para cada ano a partir da efeméride. Esse cálculo fornece a informação de quanto abriu esse arco em graus. Soma-se, então, esse valor à posição de cada planeta do mapa. É o método de cálculo manual mais difícil, porém, também o mais preciso. Com a facilidade dos cálculos computadorizados que anulam a inconveniência do seu cálculo manual, para meros segundos de trabalho, o Arco Solar tem se tornado o método de Progressão Simbólica mais utilizado.

Naboid = toma como valor padrão para progredir todos os planetas, ao mesmo tempo, o passo médio anual do Sol que é 59´08”. Multiplica-se esse valor pelo número de anos até a data a ser analisada, e soma-se o resultado à posição de cada planeta.

A direção simbólica pode ser Direta, calculada em movimento avançado no mapa natal, ou Conversa, calculada em movimento inverso, parecido com o movimento pré-natal em progressão secundária. Após realizar a progressão, direta ou conversa, utilizando um dos quatro métodos mencionados, verifica-se se os planetas que foram progredidos fazem algum aspecto exato com um planeta do mapa natal. Alguns astrólogos usam 1º de órbita. O interaspecto procurado, aqui, é a conjunção.
As direções simbólicas indicam os desejos e motivações durante um ano, por exemplo, a partir do aniversário da pessoa. Havendo trânsitos semelhantes, que apóiem a direção, os desejos podem ser concretizados, ou podemos prever um acontecimento significativo. Porém, a direção simbólica, como as outras progressões, especialmente as secundárias, possuem uma força relativa autônoma e expressiva, manifestando acontecimentos importantes no ano, mesmo sem apoio de outros trânsitos ou outros pontos astrológicos. Nesse sentido, a técnica de Direções Simbólicas é uma exceção que não precisa tanto do apoio das outras técnicas de previsão.

Grandes Conjunções e Ciclos Planetários

Cada planeta tem seu movimento especial, formando um final de ciclo quando retorna ao seu ponto de partida, e aí começa um novo ciclo. Todo começo de ciclo equivale a uma conjunção, ou retorno. Um sexto do ciclo equivale a um sextil, um quarto de ciclo corresponde à quadratura, um terço do ciclo corresponde ao trígono, e o meio-ciclo é a oposição.
Cada vez que um planeta completa uma órbita sobre si mesmo, fazendo seu retorno, amadurece seu comportamento. O retorno de Júpiter dura 12 anos, enquanto o de Saturno dura em média 28 a 30 anos. O ascendente e o Meio-do-Céu também fazem suas próprias revoluções (retornos) a cada 24 horas. Isso tem como colorário o fato de que amadurecemos diariamente a nossa maneira de projetar e concretizar nossas expectativas e objetivos de vida.
Todos esses pontos em movimento (planetas, Asc., MC) além de terem seus retornos, quando fazem conjunção com suas posições originais no mapa, também fazem outros aspectos – sêxteis, quadraturas, trígonos e oposições[12] – trazendo mais fluência ou obstáculos aos assuntos envolvidos.
As conjunções são aspectos muito intensos caracterizados pela posição em mesmo grau do zodíaco de dois corpos celestes, considerando-se as orbes utilizadas, em torno de 10º. As conjunções que ocorrem no Céu Astrológico entre Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão, têm uma importância diferenciada nos mapas pessoais, e em Astrologia Mundial. Essas são as chamadas Grandes Conjunções, que marcam inícios importantes de ciclos planetários.
Para esses posicionamentos marca-se o momento do seu exato aspecto no céu, bem como sua localização nos mapas individuais (especialmente em conjunção nas cúspides ou planetas radicais), com orbe de 5º. Esse mesmo procedimento pode ser feito em mapas de cidades e países (Astrologia Mundial). Para mapas pessoais são mais sentidas as conjunções que ocorrem em tempo mais curto de ocorrência, como as Grandes Conjunções de Marte e Júpiter, e até mesmo Saturno.



Referências Bibliográficas

BERANGER, Celisa. A evolução através das Progressões. Rio de Janeiro: Espaço do Céu, 2001.

CUNNINGHAM, Donna. A influência da Lua no seu mapa natal. São Paulo: Pensamento, 1988.

HALL, Judy. A Bíblia da Astrologia – O guia definitivo do zodíaco. São Paulo: Pensamento, 2008.

HASTINGS, Nancy Anne. Progressões Secundárias – Técnica de prognóstico em Astrologia. São Paulo: Pensamento, 1995.

PASSOS, Nezilda. Trânsitos Astrológicos – Um caminho para o autoconhecimento. São Paulo: Roka, 2000.

RIBEIRO, Anna Maria Costa. Conhecimento da Astrologia – Manual Completo. Rio de Janeiro: Imperial Novo Milênio, 2008.

[1] Judy HALL, A Bíblia da Astrologia, p. 12.
[2] Anna Maria Costa RIBEIRO, Conhecimento da Astrologia, p. 550.
[3] Judy HALL, A Bíblia da Astrologia, p. 13.
[4] Celisa BERANGER, A Evolução através das Progressões, p. 15.
[5] Ibidem, p. 18.
[6] Nancy Anne HASTINGS, Progressões Secundárias, p.16.
[7] Celisa BERANGER, A Evolução através das Progressões, p. 13,14.
[8] Ibidem, p. 14.
[9] Celisa BERANGER, A Evolução através das Progressões, p. 47,48.

[10] Donna CUNNINGHAM, A influência da Lua no seu mapa Natal, p. 85
[11] Ibidem, p. 86.
[12] Todos aspectos maiores ou ptolomaicos. Os aspectos menores não são tão evidentes, nem utilizados pelos astrólogos, nesses casos.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Dignidades e Debilidades nas Regências Planetárias

O sistema de regências planetárias teve sua origem na Grécia Antiga, momento de surgimento da Astrologia Ocidental, junto com outros saberes como a Filosofia e a Psicologia, além das ciências naturais e da Metafísica, que marcaram os fundamentos ancestrais da nossa sociedade moderna.
As regências estão baseadas na distância dos planetas em relação ao Sol, e estão relacionadas com a importância da localização dos astros por signos que é fundamental para a Astrologia Tropical (Ocidental), já que o princípio arquetípico do signo fornece a tonalidade estruturante para a expressão do significado do astro, que em si, também é um símbolo arquetípico estrutural.
Podemos, então, alegar que o signo vai indicar como a natureza do astro irá se manifestar. Disso resulta que (1) há combinações com tonalidades em total acordo, (2) outras nem tanto e (3) outras ainda, inadequadas à sua própria natureza planetária.
O estudos das condições dessas combinações deu origem a um sistema organizado para a situação dos astros em relação aos signos, que a Astrologia Clássica ou Tradicional limitou à consideração dos planetas que conhecia em sua época (de Mercúrio a Saturno), além dos luminares, Sol e Lua. A Astrologia Moderna, por sua vez, inclui nesse entendimento os três planetas exteriores, transpessoais ou geracionais (Urano, Netuno e Plutão), embora siga uma lógica diferente dos “Clássicos”.
Dentro desse sistema temos os conceitos de Dignidades e Debilidades: dizemos que um astro está em dignidade, quando bem colocado por signo. As dignidades principais são Domicílio e Exaltação. Dizemos que um astro está em debilidade (ou debilitado) quando o princípio do signo está em desacordo com a natureza do astro. As debilidades principais são Exílio e Queda. Quando um planeta não está nem num signo de sua dignidade (domicílio e exaltação) e nem num signo de sua debilidade (exílio ou queda), dizemos que o planeta está Peregrino (normal).
Classicamente, os astrólogos antigos dividiram o zodíaco (com seus doze signos) entre os dois luminares, o Sol e a Lua. O Sol regia sozinho seis signos de leão a capricórnio, no sentido anti-horário (leão, virgem, libra, escorpião, sagitário e capricórnio) e a Lua regia de câncer a aquário, no sentido horário (câncer, gêmeos, touro, áries, peixes e aquário). O primeiro dos seis signos de cada metade, recebeu a regência única dos luminares: Leão é regido pelo Sol e Câncer pela Lua.
Os demais signos foram, depois, repartidos entre os cinco planetas conhecidos em função de suas distâncias dos luminares. Como a cada um dos planetas coube dois signos, a regência foi subdividida.
Um dos signos era regido pelo astro em nascimentos diurnos, ou melhor, com o Sol acima do horizonte (definido pelo eixo Ascendente/Descendente), enquanto o segundo recebia a regência noturna, quando o Sol se encontra abaixo do horizonte.
Atualmente não é utilizada essa diferenciação antiga ou clássica (alguns astrólogos que atualmente se intitulam de “clássicos ou tradicionais” talvez se fundamentem nesse critério, ainda). Seja como for, a distribuição original resultante era a seguinte:

Planeta / Domicílio Diurno / Domicílio Noturno

Mercúrio / Gêmeos / Virgem
Vênus / Libra / Touro
Marte / Áries / Escorpião
Júpiter / Sagitário / Peixes
Saturno / Aquário / Capricórnio

Na tabela acima, observamos que Mercúrio faz a sua regência diurna em gêmeos e a noturna em virgem, Vênus faz a sua regência diurna em libra e noturna em touro, e assim por diante.
O projeto de uma Astrologia Moderna começa a surgir no século XVII, com a sistematização proposta por Morin de Villefranche, sendo que a partir do século XVIII, com o início da descoberta dos novos planetas (exteriores), a antiga regência noturna foi aos poucos sendo delegada a esses últimos. Uma das características diferenciais desses planetas são a erraticidade de suas órbitas como vistas da Terra, e a lentidão dos seus ciclos orbitais contados pela nossa cronologia convencional, dada a distância desses planetas ao Sol e mesmo à Terra. Por isso, esses planetas são chamados de exteriores, geracionais ou transpessoais. São geracionais porque devido ao seu movimento lento, parecem atuar em grandes gerações populacionais, ao longo das épocas, quando consideramos a sua posição por signos; são considerados transpessoais, pois do ponto de vista interpretativo, segundo algumas escolas modernas, esses planetas simbolizam a nossa relação com as dimensões espirituais, divinas e metafísicas da realidade. São exteriores, evidentemente, devido à longuíssima distância desses planetas tanto da Terra como do Sol (para além dos planetas sociais, Júpiter e Saturno; assim, também são chamados de trans-saturninos).
Quanto à regência dos planetas exteriores, logicamente há divergências de opiniões entre os astrólogos (quem se aprofunda no saber astrológico, descobre mais cedo ou mais tarde, que há um número razoavelmente expressivo de divergências entre os astrólogos).
Uma corrente de astrólogos defende que as regências dos planetas exteriores deveriam seguir a ordem dos signos após capricórnio, considerando a lógica do esquema de Ptolomeu (século II d. C.), segundo a tese da Astrologia Clássica presente nesse autor, quanto a relação entre planetas e signos ocorrer de acordo com a observação do céu, baseada na distância dos planetas em relação ao Sol, e a ordem dos signos no Zodíaco.
Desde já é interessante notar que esse critério não segue qualquer forma de observação empírica correlacional entre eventos celestes e terrestres, mas é apenas uma inferência dedutiva, aparentemente arbitrária, cuja lógica inferencial subjacente não é explicitada, refutando o discurso tão estereotipadamente repetido pelos que se dizem astrólogos clássicos, de que essa escola atende exigências de legitimidade objetivistas.
Seja como for, paradoxalmente, essa proposta ptolomaica foi seguida para Urano e Netuno, regentes modernos de Aquário e Peixes, respectivamente, seguindo capricórnio regido pelo último visível, Saturno. É interessante notar que observações empíricas e historiográficas iniciais parecem corroborar a inferência dedutiva dos significados arquetípicos atribuídos a esses planetas, embora muito mais pesquisas sistemáticas precisem ser formuladas e realizadas. Infelizmente, há uma escassez dessas.
Porém, esse método dedutivo (ptolomaico) não foi seguido para Plutão, havendo um grupo minoritário que defenda a regência de Plutão para áries. Apesar de escorpião ser incontestavelmente o signo mais aceito para a regência de Plutão, há quem (grotescamente) defenda seu domicílio em sagitário, capricórnio, gêmeos e até leão.
A correlação entre Plutão e escorpião é baseada numa lógica analítica de pesquisa arquetípica, que inclui estudos de mitologia e simbologia coletiva, que apóiam esse pareamento. Além disso, pesquisas históricas fornecem uma corroboração adicional para essa relação. Mas, essas correlações ainda estão num estágio de observação. Curiosamente, há alguns estudos utilizando uma metodologia clínica (observações empíricas apoiadas na consistência interna ou estrutural dessas próprias observações) que parecem sugerir que essa correlação entre escorpião e Plutão, realmente faz algum sentido, embora tal tese não seja conclusiva.
Por fim, há Astrólogos Clássicos (não todos) que dogmaticamente não aceitam a inclusão dos geracionais no sistema de regências e mantém, integralmente, o sistema inicial. É difícil dizer se esses astrólogos têm consciência, do quanto essa postura paralisa a possibilidade metodológica e gnosiológica de avanços no conhecimento astrológico. Porém, dentro de uma postura dogmática, a grande verdade é que eles estão sendo até, bem coerentes com suas premissas fundacionais, já que para o dogmatismo filosófico (enquanto cosmovisão), a preocupação com o progresso e a evolução não se colocam. E se isso não lhes serve como crítica legítima, dentro de seus próprios pressupostos, não deixa de ser verdade, que ao excluírem a pesquisa dos significados dos planetas transpessoais, eles excluem de sua prática, ferramentas teóricas potenciais que se mostram muito úteis e pertinentes.
Muitos astrólogos modernos adotam a seguinte convenção, quanto às regências ou domicílios para os planetas exteriores: Urano para aquário, Netuno para peixes e Plutão para escorpião. Contudo, consideram que estas devem ser utilizadas em conjunto com os regentes tradicionais, Saturno, Júpiter e Marte, respectivamente, como co-regentes.
Nesse ponto também há uma polêmica. Alguns astrólogos consideram que os regentes tradicionais devem ter maior importância e peso na análise, e que os regentes modernos, devem ser vistos secundariamente como co-regentes, de peso não-desprezível. Pessoalmente, eu me coloco dentro dessa linha de pensamento. Ou seja, sem desconsiderar os regentes modernos, confiro mais importância na análise aos regentes tradicionais desses signos. Essa abordagem que considero a mais correta, acaba sendo uma forma de conciliação dialética entre a visão Clássica e a Moderna, embora, evidentemente, muitos astrólogos rejeitem tal proposta. A meu favor, existe o fato de que as Escolas de Astrologia com reconhecimento na comunidade astrológica contemporânea, como as escolas Gaia e Regulus (e boa parcela de seus professores com anos de prática e estudo), adotam essa mesma posição. Em todo caso, para não dizerem que me fundamento num argumento falacioso de “autoridade”, esclareço que a observação clínica (empírica e metodológica em atendimentos individuais) favorece essa interpretação.
Quanto às exaltações, especialmente no que diz respeito a Mercúrio, também encontramos opiniões diferentes. A maioria dos astrólogos modernos (no qual me incluo) o consideram exaltado em Aquário e outros defendem a sua exaltação (equivocadamente, na minha avaliação) em escorpião. Para a Astrologia Clássica ou Tradicional, Mercúrio está, ao mesmo tempo, domiciliado e exaltado em virgem. Assim, Mercúrio também estaria duplamente exilado e em queda, no signo de peixes, o que é um contrasenso e um absurdo, segundo minha opinião (pretendo justificar minha objeção em outro texto sobre essa temática).
É muito fácil identificar as debilidades planetárias, sabendo-se os signos de suas dignidades. Vimos que as debilidades planetárias são exílio e queda. O exílio é definido pela posição do planeta no signo oposto a seu domicílio, enquanto a queda é encontrada pela posição do planeta no signo oposto à sua exaltação. Assim, se Júpiter tem seu domicílio em sagitário (diurno) e peixes (noturno), seu exílio ocorre em gêmeos e virgem, os signos opostos de sagitário e peixes, respectivamente. Como Júpiter tem sua exaltação em câncer, sua queda ocorre em capricórnio.
Voltando à discussão das dignidades, precisamos diferenciar os domicílios das exaltações. A astróloga Celisa Beranger faz uma distinção muito pertinente entre essas duas condições, que concordo plenamente. Segundo a autora, em domicílio, o astro encontra-se “puro”, possuindo liberdade e autoridade em sua expressão porque, além do princípio do signo estar de acordo com sua própria natureza, sendo por isto dono do signo, não possui um dispositor (que corresponde ao regente do signo no qual um astro se encontra quando não está domiciliado).
A exaltação por sua vez, é um conceito que surgiu na antiga Babilônia, e era denominada de “casa secreta”. O planeta em seu signo de exaltação encontra-se numa condição significativamente melhor do que se estivesse numa posição peregrina (normal), atuando dentro dos parâmetros de sua especialização e com seu melhor aproveitamento, porém não possui liberdade total (como no domicílio), porque de qualquer forma, possui um dispositor que lhe limita a expressão, a não ser que esse dispositor também esteja em bom estado celeste.
Assim, em domicílio, o astro está à vontade quanto ao princípio arquetípico que naturalmente ele encarna, e quanto ao princípio do signo que lhe é altamente compatível e familiar, enquanto na exaltação é grande a atenção quanto ao direcionamento correto (e especializado) de sua força, visando um melhor aproveitamento de sua natureza. Por exemplo, Marte em Áries (domicílio) simboliza uma ação impulsionada (naturalmente) para empreender, competir e buscar desafios, enquanto Marte em capricórnio (exaltação) tem sua atuação delimitada e direcionada (“especializada”) para objetivos concretos. Vênus domiciliada em Libra apresenta com naturalidade suas qualidades de sociabilidade, expansividade social, adaptabilidade diplomática (qualidades tanto de Vênus quanto de Libra), ou domiciliada em touro, Vênus também expressa outra de suas qualidades naturais que é o senso estético, de proporções, e o desejo de sofisticação material e conforto (qualidades tanto de Vênus quanto de touro). Por outro lado, Vênus exaltada em peixes, vai apresentar uma habilidade especializada ou focalizada no Amor, de um determinado tipo, que é o “amor universal” pela humanidade, pelos animais, pelos mais necessitados, etc.
Esses exemplos colocam em evidência a plasticidade e multivariedade das interpretações possíveis para cada combinação simbólica e arquetípica entre planetas e signos. Mas, esse seria tema para outro artigo.
Evidentemente o tema das dignidades e debilidades não se esgota, por aqui. Esse texto, porém, representa uma contribuição para se entender alguns fundamentos lógicos e históricos das noções de dignidades e debilidades planetárias.

Referências Bibliográficas

BERANGER, Celisa. Revelações: explorando recursos da carta natal. Rio de Janeiro: Espaço do Céu, 2005.

Crítica da Astrologia de Senso Comum

Na acepção da Filosofia Contemporânea, o senso comum é um conjunto de opiniões e valores característicos daquilo que é coerentemente aceito em um meio social determinado. Consiste em uma série de crenças admitidas no seio de uma sociedade determinada e que seus membros presumem serem partilhadas por todo ser racional. (1)
Uma corrente expressiva do pensamento filosófico e científico possui - com toda pertinência segundo minha opinião - uma atitude de desconfiança e criticismo em relação às posições e expressões do senso comum. Essa reflexão sobre as limitações do senso comum já eram realizadas na Antigüidade por Sócrates e Platão. (2)
Devemos entender que, numa linguagem não-técnica, o senso comum, nada mais é do que nossa visão corrente, o entendimento comum que temos sobre qualquer tema, i.e., nossa opinião (do grego “doxa”) tal como se apresenta comumente. Sócrates tinha uma visão negativa da opinião corriqueira do senso comum como insatisfatória: seu questionamento das crenças e opiniões que temos apontava que as idéias e concepções das pessoas, em geral, e da própria sociedade são vagas, imprecisas, parciais, incompletas, erradas, equivocadas e/ou preconceituosas.
Nossa experiência, de onde as opiniões de senso comum provêem, se revelam inadequadas, inconfiáveis e insuficientes. De fato, é inacreditável como muitas das opiniões que temos em nosso dia-a-dia, e acreditamos ingenuamente estarem tão corretas ou acertadas, quando colocadas sobre o escrutínio científico ou filosófico se mostram completamente infundados, errados... Para quem define a arte como uma forma sensível e intuitiva de crítica, observa que essa também se constitui, muitas vezes, numa forma de ruptura e oposição ao senso comum.
O método socrático vai mostrar que, com freqüência, não sabemos aquilo que pensamos saber. Temos, no máximo, um entendimento imediato e parcial, porém, que se revela distorcido ou incompleto, ou ambos. A reflexão filosófica revela a fragilidade do entendimento do senso comum habitual e aponta para a necessidade de aperfeiçoá-lo, e mesmo, corrigi-lo através da reflexão crítica.
Para Sócrates, o princípio da sabedoria só pode se dar pelo reconhecimento da própria ignorância, ou seja, da constatação de que não sabemos o que “pensamos” saber. Essa idéia está contida no aforismo proferido por Sócrates: “Só sei que nada sei”. Essa afirmação mostra que, para Sócrates, a legítima sabedoria só é obtida através de uma atitude de humildade gnosiológica, i.e., uma postura de modéstia quanto ao próprio conhecimento. O domínio da opinião (senso comum), com todos os seus autoenganos, distorções e preconceitos, ao contrário costuma ser um terreno de alta arrogância epistemológica, inflação de ego e vaidade intelectual dogmatista. Assim, Sócrates afasta a noção de um possível verdadeiro conhecimento (episteme) do simples domínio da opinião (doxa) pessoal ou coletiva.
Platão dá prosseguimento ao rompimento do verdadeiro conhecimento (entendido como posse de uma representação correta do real) com a imprecisão e os preconceitos do senso comum, através de um procedimento dialético de reexame crítico desses últimos. Na interpretação platônica da filosofia socrática, o método dialético é aquele que procede à refutação das opiniões (preconceitos) do senso comum, explicitando as suas contradições intrínsecas, objetivando sua substituição por concepções mais precisas e racionais, isto é (i.e.), verdadeiras.
O perigo e o problema maior do senso comum, é que seu dinamismo facilita a produção, manutenção e transmissão de muitas formas, expressas ou disfarçadas, de preconceito. E isso se torna ainda mais problemático, quando constatamos que a modalidade de pensamento e de discurso dominante que permeia o senso comum (que não é outra coisa, senão o automatismo de nossas idéias usuais) é altamente impreciso, falacioso e, mesmo, irracional e infundado.
O preconceito se define como opinião ou crença admitida sem ser discutida ou examinada, internalizada pelos indivíduos sem se darem conta disso, e influenciando seu modo de agir e de considerar as coisas. Segundo uma reflexão filosófica, o preconceito é constituído por uma visão de mundo ingênua que se transmite culturalmente e reflete crenças, valores e interesses de uma sociedade ou grupo social. O termo possui, nesse contexto, um sentido eminentemente pejorativo, designando o caráter irrefletido e freqüentemente dogmático dessas crenças, que se revestem de uma certeza injustificada.
Entretanto, como alegam os autores Hilton Japiassú e Danilo Marcondes, é preciso admitir que nosso pensamento inevitavelmente inclui sempre preconceitos, originários de sua própria formação, sendo tarefa de uma reflexão crítica precisamente desmascarar os preconceitos e revelar sua falsidade. (3)
Esse é exatamente um dos aspectos do projeto filosófico de Platão (e também, do meu projeto gnosiológico pessoal): ir contra a opinião (sem justificativas, ou sequer, coerência e consistência racional) que não se reconhece como (apenas) opinião, mas que se apresenta como “certeza”, que se baseia em “fatos”, na realidade particular, concreta, na experiência, tomando como totalidade do real e como fundamento da certeza, aquilo que é parcial e contingente.
Platão visou denunciar que a opinião (doxa) ou senso comum tem uma falsa (e orgulhosa) consciência de si mesma, sendo o oposto da verdade e do conhecimento. Faz parte da “doxa” ou opinião vulgar, ocultar suas inconsistências da experiência (incluindo interesses e preconceitos) sob um falso discurso de unidade.
A Astrologia acaba não se encontrando livre desse tipo de distorção. Pelo contrário, sua condição marginal (no sentido de algo que está à margem) frente às supostas formas de saber crítico como a ciência, a arte e a filosofia, viabilizam a sua apropriação por parte da maior parcela alienada do senso comum, no contexto de publicações populares que pouco ou nenhum comprometimento possuem com a precisão dos conceitos astrológicos, bem como dos infrutíferos debates virtuais em comunidades de relacionamentos (especialmente em algumas comunidades do Orkut, mas não em todas) que, retirando algumas exceções, pouco acrescentam em questões e respostas astrologicamente relevantes.
Não seria estranho algumas vozes que insistem em enxergar algo de valioso ou positivo no (deprimente e alienado) domínio da “doxa” objetarem que a massificação e apropriação do discurso astrológico pelo senso comum, não deixa de ser uma forma de democratização de uma modalidade de conhecimento ancestral da humanidade - a astrologia – e pior seria a sua repressão e exclusão. Mesmo que concordemos que isso seja verdade, por um lado, não deixa de ser igualmente verossímil, embora menos óbvio, que qualquer projeto informativo de permissividade democrática costume resultar no rebaixamento intelectivo e crítico dos discursos manifestos e produzidos, muitas vezes para níveis dramáticos de alienação e impertinência. Isso se torna ainda mais constatável em esquemas de organização expressamente anárquicos.
Um dos paradoxos da democracia (e mesmo da anarquia) é que a opinião incompetente, e mesmo contrária ao próprio sistema em questão, também tem seu espaço de manifestação garantido, ou não seria uma democracia (ou anarquia). Mas, esse não é um problema sem solução (e também não deve ser entendido como um argumento contra a democracia, nem contra a democratização do conhecimento, e muito ao contrário, é uma crítica e um alerta para se buscar saídas para seu aperfeiçoamento): afinal, já foi dito que não existe democracia real, sem educação e esclarecimento.
Isso dito, também vale para a Astrologia, que em sua forma de estudo mais evoluído e prática avançada, não tem nenhuma relação com as formas hipostasiadas dos falsos conceitos e “preconceitos astrológicos” tão comuns, no submundo de suas representações de senso comum.
Formulações sobre “bons” e “maus” signos, mapas “fortes e fracos”, adivinhações rigidamente cristalizadas, injúrias baseadas na reificação de supostos caracteres astrais, alegações dogmáticas (porém, falsas) de conhecimento, enfim, tudo isso aliena o debate reflexivo sobre questões relevantes para o saber astrológico.
É importante enfatizar que a reflexão, aqui realizada, se refere a algo mais do que apenas “falta de conhecimento astrológico”, argumento que poderia ser usado para justificar as distorções da chamada “Astrologia de Senso Comum”, designação que sugeri para apontar a apropriação do discurso astrológico num contexto social massificante e acrítico, que distorce arbitrariamente o saber astrológico, tornando-se na verdade, um “não-saber”.
Mais do que “falta de conhecimento astrológico”, essa reflexão denuncia as formas difusas pelas quais os preconceitos do senso comum invadem o discurso astrológico tentando legitimar cosmovisões estereotipadas, segregacionistas e/ou alienantes, ao invés de reflexivas e esclarecedoras.
O projeto de uma Astrologia Crítica, moderna (ou melhor, ainda, Contemporânea), e amadurecida deve permitir o desmascaramento, a desmontagem, ou ainda, a desconstrução dessa realidade distorcida, alienante e estereotipada. Como na Filosofia (e mesmo na Psicologia, que são saberes com que a Astrologia pode e deve manter uma interface em contexto interdisciplinar), o ponto de resolução dessa problemática se situa no nível do discurso, do diálogo, do logos.
Devemos saber que o discurso é um construto que se presta à manipulação, e por isso, deve se submeter às regras de inteligibilidade e de certos princípios argumentativos, sob pena de não realizar sua função comunicativa. O discurso astrológico não escapa à essa consideração, e o projeto de uma Astrologia Esclarecida (em oposição a uma Astrologia de Senso Comum) deve incluir a interpelação de seus principais articuladores (astrólogos, estudantes, cliente e até “curiosos”) com a conseqüente exigência de explicações, justificações e explicitações de discurso, e não a simples assimilação e aceitação passiva de opiniões não-embasadas.
O discurso astrológico (assim como o discurso psicológico e filosófico, aplicável à interdisciplinaridade com a astrologia) deve se preocupar com sua própria problematização, legitimação e justificação, para poder ser considerado crítico e reflexivo. A argumentação astrológica não poder apenas “dizer e afirmar”, como muitas vezes o faz, mas precisa explicitar suas razões, sua hermenêutica (ou suas interpretações) e até mesmo seus fundamentos gnosiológicos mais profundos, independentemente das vozes alienantes que vociferam contra o questionamento embasado na gnoseologia astrológica.

Notas

(1) Hilton JAPIASSÚ e Danilo MARCONDES, Dicionário Básico de Filosofia, p.250.

(2) Cf. Danilo MARCONDES, passim.

(3) Hilton JAPIASSÚ e Danilo MARCONDES, Dicionário Básico de Filosofia, p.224.

Referências Bibliográficas

JAPIASSÚ, Hilton e MARCONDES Danilo. Dicionário Básico de Filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2008.

MARCONDES, Danilo. Iniciação à História da Filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2008.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Planetas e Níveis de Manifestação na Consciência

Sabe-se os signos representam campos de ação, enquanto as Casas Astrológicas são os “lugares” (físicos e psíquicos) onde a ação ocorre. Os Planetas, por sua vez, são o poder ou força motivadora.
Como os signos, e mesmo as casas, os planetas também são símbolos arquetípicos que representam tipos de reação, princípios e funções de caráter geral expressos por pessoas e acontecimentos.
Cada planeta tem uma função que é exteriorizada em diferentes níveis. Não é possível conhecermos o nível em que um horóscopo está operando sem interagirmos com o nativo de sua correspondente carta natal. É preciso conhecer e dialogar com o dono de certo tema natal para sabermos em que nível ele opera as forças cósmicas que lhe recaem a todo instante.
Jean Baptista Morin de Villefranche (1583-1656), grande astrólogo francês do século XVII, que codificou mais de uma centena de regras sistemáticas de toda a Astrologia Clássica, afirmava em um dos seus aforismos que “A extensão dos efeitos particulares, que pode produzir o corpo celeste em relação a um certo indivíduo é determinada pela capacidade deste ser de receber a influência e de reagir sob esta influência”.
Essa é uma visão clássica precursora da Astrologia Moderna e fundamental para a Astrologia Acadêmica. Igualmente é confirmada pelas tendências mais contemporâneas.
Como ponto de partida um horóscopo individual pode atuar em 3 níveis ou estágios:

1) Estágio Primitivo ou Ingênuo;
2) Estágio de Entendimento e
3) Estágio Superior.

No primeiro estágio – primitivo ou ingênuo – a pessoa possui pouco entendimento e consciência, limitando-se às suas necessidades e desejos, especialmente os de natureza instintiva. Por isso mesmo é o mais influenciável pelas determinações astrais, porém sua expressão é difusa, indiferenciada, ou mesmo, muito restritiva, sem maiores sofisticações.
No segundo estágio – de entendimento – o sujeito tem certo controle dos seus instintos e age dentro dos seus valores, rejeitando (ou sendo capaz de rejeitar) o que considera “mau” ou indesejado.
No terceiro e último estágio – o Superior – o indivíduo procura uma identificação com seu Self (Si-Mesmo ou Eu-Interior) e utiliza as energias planetárias conscientemente sentindo-as como uma inspiração para uma busca de elevação pessoal, e mesmo, um impulso social de solidariedade humana.
Do primeiro ao terceiro nível observamos um estado mais efetivo do livre-arbítrio, onde o indivíduo se encontra mais livre dos condicionamentos instintivos típicos do ser humano, e por isso, também se encontra mais “livre” das influências astrais, ou o que é mais provável, as expressa de forma mais “plástica”, sofisticada e eficaz.
É dessa forma que notamos que sob a influência tensa de um mesmo planeta, signo e casa astrológica, uma pessoa no primeiro estágio primitivo funcionando à base dos seus instintos pode se achar à frente de obstáculos intransponíveis; a do estágio mais compreensivo pode se sentir frustrada em seus desejos, porém, mesmo assim, ir em frente para consegui-los; enquanto que a do terceiro estágio, mais avançado, considera a dificuldade como uma oportunidade para se fortalecer.
Por outro lado, não existem planetas “ruins” e “bons”. Planetas representam energias arquetípicas com diversos graus de vibração. Os planetas, as suas posições no mapa e os aspectos que fazem indicam padrões de energia. Como símbolos representam arquétipos (matrizes energéticas que estruturam a realidade material e não-material – psíquica e espiritual). Como todo símbolo arquetípico possuem uma expressão plástica que pode se manifestar de múltiplas formas. Cada pessoa, por sua vez, pode experiênciá-la de uma forma, por ela compreendida como “boa” ou “má”, “construtiva” ou “destrutiva”, “fluente” ou “tensa”.
Até certo ponto, o arquétipo simbolizado pelo planeta, pode por si, assumir uma tonalidade mais “positiva” ou “negativa”. Mas, nem sempre o que parece “ruim” é ruim, ou o que parece “bom” é bom. Uma experiência desagradável, a princípio, pode conter uma importante lição, e ser uma condição para um futuro estado de harmonia. Ao passo que um acontecimento pode ser interessante num momento e pernicioso em outro, dependendo das circunstâncias. Por causa de todos esse fatores nenhuma interpretação ou previsão na Astrologia é taxativa, fixa, unidirecionada e rigidamente determinística.
Por exemplo, Marte em áries tanto pode simbolizar energia ativa e iniciativa, como agressividade ou forte impulso sexual. Pode ser uma coisa ou outra, ou todas essas possibilidades ao mesmo tempo. Ainda, se for agressividade, dependendo da ocasião, pode ser “boa” (se representar auto-defesa e sobrevivência) ou “má” (se for destrutiva e “à-toa”). Ou se for impulso sexual pode ser adequada (se representar iniciativa sexual) ou “negativa” (se for muito compulsiva). Essas nuanças vão depender do nível em que o indivíduo opera em termos de consciência e estágio evolutivo pessoal. Essa é uma das interpretações possíveis para a regra de Morin de Villefranche, que foi destacada nessa exposição.

Referência Bibliográfica

RIBEIRO, Anna Maria Costa. Conhecimento da Astrologia. Manual Completo. 3ª ed. Rio de Janeiro: Imperial Novo Milênio, 2008

domingo, 2 de maio de 2010

Concepção Causalista X Sicronística de Astrologia

Definir o conceito de Astrologia pode ser mais difícil do que parece à primeira vista. Alguns autores podem definir a Astrologia como “a ciência que investiga a ação dos corpos celestes sobre os objetos animados e inanimados, e a reação destes a essa influência”. Outros podem definir a Astrologia como “a ciência que investiga a relação entre fenômenos celestes e fenômenos terrestres”.
No primeiro conceito temos a concepção de que os astros causam diretamente fenômenos no nosso planeta, em vários âmbitos. Essa ação é energética, e os planetas e corpos celestes atuam como a causa de vários acontecimentos e tendências, através das energias gravitacionais, magnéticas e cósmicas que emanam. Para o leigo ou o cético comum, isso pode parecer estranho, mas a física quântica oferece algum fundamento sugestivo para essa concepção causalista da Astrologia, ao conciliar o conceito de matéria, energia e informação como (quase) sinônimos, ou pelo menos, como análogos.
No segundo conceito de Astrologia, a concepção é a de que existe uma relação de sintonia caracterizada por uma coincidência significativa entre eventos celestes e eventos terrestres do cotidiano. Ou seja, os astros não causam diretamente nenhum evento na natureza ou sobre as pessoas, mas cosmologicamente o universo é organizado por um princípio sinergético quântico que garante que eventos cósmicos coincidam com eventos terrenos comuns. Essa concepção, portanto, prevê uma organização para o Universo muito mais complexa do que a noção usual que comumente o senso comum defende. É uma concepção holística que afirma que tudo no Universo é interligado por relações quânticas. Essa é a concepção sincronística da Astrologia.
Os defensores da visão causalista da Astrologia ignoram a noção sincronística, e vice-versa. Porém, há indícios científicos de que as duas concepções são verdadeiras, atuam em conjunto, e fornecem uma nova concepção cosmológica do Universo. Os cientistas ditos acadêmicos têm ignorado isso!
As astrologia é uma ciência muito antiga, figurando entre os primeiros registros do aprendizado humano. É a mãe da astronomia, e durante muito tempo, ambas foram uma só ciência. As astronomia tornou-se uma ciência exata que trata de fenômenos celestes em suas relações físicas e naturais, de forma independente do que acontece na fenomenologia terrestre, excluindo o entendimento de qualquer componente espiritual na mecânica do Universo, sem obrigatoriamente negar a sua existência, mas no mínimo ignorando-a.
Apesar da Astronomia ter se separado da Astrologia, o astrólogo precisa ter noções dessa “ciência-filha” da Astrologia. Mas, essa última mantém aberta a possibilidade explicativa de incluir o espiritual e o divino não só na mecânica física do Universo, como na correlação observada entre fenômenos terrenos e o movimento dos astros no cosmos.
A dialética entre a visão causalista e a sincronística da Astrologia tem a sua síntese numa concepção Espiritualista da mesma.

Referências Bibliográficas

JUNG, C. G. Sincronicidade. Petrópolis: Vozes, 1991.